21 de outubro de 2009

Saramago e a Bíblia.

A liberdade de expressão é um bem supremo, a defender com garra.
Mas a liberdade religiosa, ou de crença, está-lhe equiparada.
Nesta vertente, há coisas que não se discutem, como a fé.
Quem acredita, não tem de explicar porque assim é: acredita e pronto!
Tudo isto para dizer que a posição de Saramago, por muito livre que seja, incorre num vício de base: ninguém lhe pediu para ser o guia supremo das crenças.
E depois, há uma outra questão que nunca pode ser esquecida: a boa educação, o respeito pelos outros, a civilidade que importa sempre manter.
Se o escritor não gosta da Bíblia, se não a lê, se não acredita nela, faça-nos ao menos o favor de não insultar quem pensa de modo diferente.
Sob pena de cairmos em novos totalitarismos... que Saramago, aliás, conhece bem...

6 comentários:

Teresa disse...

Olá Tony
Concordo totalmente consigo, quando põe no mesmo patamar a liberdade religiosa e a liberdade de expressão: são dois pilares do nosso sistema democrático europeu, que tantos séculos nos demoraram a criar. Mas, se acreditamos nesses valores, temos de aceitar a liberdade de expressão de Saramago. Podemos não o apreciar como escritor, achá-lo mal educado, desprezá-lo, mas temos de aceitar que ele tem o direito de dizer o que lhe vai na alma. Temos também o direito de o contrariar, de discutir o que ele diz, ou simplesmente ignorá-lo. Guia supremo das nossas crenças não é com certeza, senão seríamos todos comunistas, o que felizmente não é o caso.
Dito isto, penso que em vez de o criticar, devíamos dar os parabéns a José Saramago por ter nascido num país católico; se, pelo contrário, tivesse nascido num país muçulmano, já teria uma condenação à morte!
Abraço.

Daniel Silva (Lobinho) disse...

I've already made my point lá no meu canto, mas concordo com cada linha que escreves.

Elegante e directo.

Abraço grande :)

*JjS* disse...

Concordo em absoluto com a defesa da liberdade de expressão e também com a liberdade religiosa. E gostava que houvesse igual liberdade e respeito pela não crença. Afinal parece que em toda a História conhecida, não nenhuma guerra decretada em nome ou em defesa do ateísmo...
E gostava também que os crentes das várias religiões se interrogassem um pouco se, na maior parte das vezes, no seu proselitismo, estão a respeitar os ateus, os agnósticos, os crentes de outros credos. Depois falemos de liberdade religiosa.
E Portugal, o país de Saramago (com todo o respeito, cara Teresa)é tão católico como do benfica.

ita misa est

mariam disse...

Tony,

Concordo!

... mas li uma frase bem acertada num jornal regional (o 'Reconquista' de Castelo Branco)...que era mais ou menos isto; " não tirando o mérito ao nobel, não estarão neste caso os 'media' a dar-lhe uma importância exagerada?!" ...

um sorriso :)
mariam

pin gente disse...

começo por dizer que não li o livro.

concordo inteiramente com a liberdade de opinião e expressão... mas liberdade está também no não ter que ler.

acredito que haja manobras de marketing envolvidas em muitas divulgações.

um abraço
luísa

Cleopatra disse...

Hello!. Penso que ele não quis insultar, quis dar a opinião dele. E é aquela Nada a fazer :-)