29 de dezembro de 2010

Natal em Mira.

Passei o Natal, juntamente com a Família alargada, na casa do Cabeço-de-Mira, que era dos meus Pais (a Casa da Barreira)...
Aquela casa é, para mim, um paradoxo: foi ali que passei os últimos dias da minha juventude, ainda solteiro; foi ali que passei alguns dos momentos mais críticos da minha vida académica e o turbilhão que varreu a minha existência, naquele tempo...
Mas foi ali que eu acompanhei o meu Pai, ainda saudável e cheio de vida, no dia a dia das suas tarefas profissionais e lúdicas.
Foi também ali que vi definhar a minha Avozinha, naquela doçura que era só dela e que nunca perdeu.
E finalmente foi ali que eu vivi os momentos de solidão da minha Mãe, pouco a pouco mais velhinha, mais doente, mais tristonha.
Tentei, com a força que tinha cá dentro e com o amor que ainda hoje sinto, dar alguma alegria, algum sentido à sua vida.
De certa forma, estou certo que consegui.

E hoje, aquela casa transporta e exala todas essas recordações, todos esses momentos, todos esses fantasmas, toda essa agrura, traduzida nas visões dos nossos a desaparecerem.
Não é por isso que deixo de lá ir!
Em cada Natal, em cada momento, estarei sempre que a Família queira.
Para dar cor àquele espaço e calor àquelas paredes...

6 comentários:

joao de miranda m. disse...

Belíssimo texto. E a mim, que conheci tudo e todos que aqui referes, este texto fala-me particularmente. Ao ouvido da alma...

redonda disse...

Nos últimos anos, sinto algo parecido em cada Natal.

um beijinho

Gábi

hesseherre disse...

"Ao ouvido da alma"....
Belíssima imagem esta....Casa-se com o teu sentimento profundamente humano...
Vim aqui pelo blog da Dona Redonda, minha amiga e a quem tivestes a cara de pau de pedir um talão de cheque. kkkkkkk

mãenuela disse...

cheguei aqui pelo fb...este seu texto ajudou-me. Estou como a sua mãe, a viver sozinha num casarão que já foi de sete, e por vezes sinto vontade de o abandonar. Fez-me pensar que algum dos outros antigos habitantes poderá sentir também vontade de cá voltar, recordar os bons momentos que aqui partilhámos.Será que sou capaz de os privar desse hipotético prazer?

Mary Maura disse...

Tony,
Fiquei sensibilizada com o texto , e admiro mais ainda você estar ligado as suas origens, suas raízes..... lindo!!!
lembrando se com carinho de toda família.
Beijos no coração
Saudades!!!

Grace Teles disse...

Olá!

Gostei do seu blog!
O Facebook, com certeza, não se encaixa neste formato.
Onde lá colocarias a beleza deste teu texto?

Grace Teles