12 de dezembro de 2009

O Romeu.

Chegou à porta da casa em Setembro de 1995, faminto, cheio de frio, abandonado.
Tinha, na altura, um ou dois meses de idade.
Foi acolhido, alimentado a biberão, tratado, desparasitado, lavado.
Foi crescendo e dando alegria a quem com ele convivia.
Sempre muito independente, não era adepto de festinhas, mas não negava o alimento, o calor e o carinho que nos permitia conceder-lhe.
Um dia, atropelado, teve de ser operado e perdeu a cauda (o que o tornou ainda mais distinto...).
Numa outra altura, desapareceu durante um mês: esteve preso em algum edifício, nesse período.
Regressou, pele e osso, mas avidamente à procura dos donos, que rapidamente o alimentaram, trataram e fizeram regressar ao normal.
Durante 14 anos, viveu connosco.
De modo único, acompanhava-nos ao café, ficava à porta à nossa espera, só regressava connosco.
Era o dono da rua, conhecido de todos, por todos acarinhado.
Entretanto... a idade trouxe mais mazelas e, há cerca de 3 meses, adoeceu gravemente.
Todos estes restantes dias foram de angústia e tristeza: o Romeu deixou de comer, emagreceu, deixou de se lavar e de fazer aquilo que mais gostava: andar na rua.
Dia a dia, o seu estado piorava e a sua qualidade de vida já não existia...
Tivemos de tomar uma atitude drástica, muito dolorosa, mas necessária.
Aconteceu na quinta-feira passada...
Hoje, já não há Romeu.
Hoje, a alma está um pouco mais negra.
Porque aquele gato fazia parte da família, vivia no seio de nós, era um membro querido, um companheiro.
E agora, restam as memórias daquele pequeno corpo tigrado, cheio de vida, atrevido, independente, aventureiro, corajoso, brincalhão, à sua maneira carinhoso.
E fica uma enorme, uma imensa saudade...

7 comentários:

Blackie disse...

Não posso crer...eu ainda não sabia..falei com a tia e a Inês ontem mas não me disseram...
Fico convosco nessa tristeza meu tio...iremos sempre lembrar-nos das garras afiadas do vosso Romeu..

redonda disse...

Uma seca isto suceder.

um beijinho

Gábi

Mariz disse...

Meu amigo
Sei bem o que isso é.
Perdi Blacky - cão - e o Fonfon - gato - no intervalo de 1 ano.
É horrível. A saudade, o carinho, o facto de pensarmos que nunca se vão.
Sinto muito...oh se sinto....!
Digo sempre que não quero mais animais..mas depois não aguento...e nem é por solidão...porque gosto de estar sózinha...é porque eles são mais dependentes que nós e ficamos atónitos com o que eles fazem...só lhes falta falar e também os trato como crianças. E gosto disso.
Agora vim aqui também por outro assunto:
pedir perdão pela ausência. Náo por esquecimento mas sim, porque desde dia 5 Agosto mais propriamente - partida da minha mãe - que implicou a evolução de muitos problemas e estou longe de os resolver porque vão implicar 2 acções judiciais. Se morasses mais perto pedia-te para tratares desses assuntos porque não entendo nada de leis! Como nunca necessitei de advogados nem os meus pais...agora vou á vossa Ordem aqui de Sintra na 5 feira expor os casos e saber se tenho algumas hipóteses de os vencer. Para mais, não conto com ninguém e a coisa torna-se mais complicada pois a idade já me pesa um pouco e falta-me já aquele sangue na guelra...embora seja um tanto spidada, quando é preciso.
E é por isso que perdi a vontade de
vir para a blogosfera. E podes crer que faço um esforço heróico para "postar" algo; só o faço porque muitas pessoas seguem o blog e este tem como "serviço"/missão - tal como outros - que hajam pessoas que se sintam atraídas para ler o que vou escrevendo e tomem isso como um apêndice ao seu "despertar" de consciência. Porque se assim não acontecesse, já teria fechado os blogs.
Portanto, fecho apenas os comentários e muito raramente virei aqui.
Quero agradecer-te toda a amizade recebida, todas as palavras correctas, inteligentes, amigas, com que presenteaste os meus posts.
Tens o meu mail na faixa da direita do blog. Espero que não percamos o contacto.Deixo-te um presentinho de Natal que elaborei para todos....
espero que gostes. Como estou sózinha nesta ou noutras Quadras, foi a pensar nisso que aquele texto foi feito - para que todos estivessem comigo com: "velas, almofadas, mantas, bolo de mel, vinho velho e....conversando até ás tantas"... ao som de....

Inclino-me agora sobre a tua testa, pouso um suave beijo, como na imagem de topo que verá e baixinho murmuro:
amigo, até sempre! Onde estiveres, o que fizeres, ou pelo que passares, estarei contigo...
Sempre...

Mariz

Tony disse...

Obrigado, muito obrigado, Mariz!

Daniel Silva (Lobinho) disse...

Posso fazer minhas muitas das palavras da Mariz?

Mary Maura disse...

Tony,
Fiquei assim , sem palavras quando li o texto ROMEU, deu para perceber os sentimentos expressos aki nas palavras , uma sensibilidade como essa so pode vir de um coração como o teu, quanta generosidade, quanto amor !!!
Admiro vc cada dia mais meu amigo , sinto muito por vc e pelo Romeu , mas vc é maravilhoso.
Sinta o meu saudoso abraço
Beijos
Maura

milú ferreira disse...

Tony,
Tens uma alma linda, de uma sensibilidade ímpar!
Eu sinto muito o que aconteceu...
Eu sei bem o que é perder "alguem" querido... eles só faltam falar! E porque não falam, talvez por isso sejam muito mais "gente" do que muita gente!!!
Eu sinto-me muito lisonjeada pela foto do Romeu no meu guestbook. Só agora percebo a dimensão da oferta... deste-me um bocado de ti!
O meu bem-haja!
Milu